Plano da argumentação:
Existem pontos críticos norteadores do texto: o (des)amor, o ciúmes, a percepção (ou a falta dela) e a felicidade. Notem que esses conceitos estão vivos na essência dessas linhas e, portanto, são parte constituinte de cada e qualquer ser e personagem.
Antes de saber quem é ou quem mesmo era, é preciso saber o ser. E uma pergunta tão simplista e complicada de se responder, agora se torna ainda mais complicada e ainda mais básica. A pergunta está intimamente conectada ao saber humano, mas aplicada de uma maneira mal direcionada.
Embora essa importância seja evidente, a resposta não é o centro dessa discussão que estamos adentrando. É imprescindível, antes de tudo, que a pergunta esteja certa. Sendo correta a pergunta, a resposta é fruto, assim como estas linhas.
E se ao final desse apanhado de palavras recairmos na pergunta inicial? ‘Quem sou eu?’ poderá assim dizer qualquer personagem, e o leitor há de convir que a pergunta correta muitas vezes seria ‘O que é ser?’. Mas é suficiente apenas ‘ser’?
Entre tantos outros saberes, sabe-se que existe um lugar onde há espaço para todo e qualquer ser, um lugar para os filmes de narrativa não-linear, para as orquestras italianas e para a metafísica. Existe tanto lugar para a falta de lar quanto lugar para a felicidade subjetiva. Lugar para a folia portenha e temporada de ski em Aspen. Tanto para sopa de ervilha quanto para Camões. Existe espaço, espaço... E o que nos limita e delimita esse espaço é uma vadia de traços delicados e fundamentação sinuosa de nome Percepção.
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